#3 Celina Caldeira

Celina Caldeira é professora de Português e Literatura Portuguesa há mais de 30 anos na Escola Nuno Álvares (mais conhecida como Liceu). Considera que esta é a sua segunda casa. Foi lá que fez o seu percurso escolar e mais tarde volta como professora até hoje. Durante vários anos esteve à frente da Biblioteca Escolar do Liceu e foi fundadora do jornal escolar Dois Pontos, actualmente extinto.

Foi na biblioteca Egas Moniz (do Liceu) que Celina Caldeira nos deu a conhecer a sua lista de 10 referências artísticas e culturais que marcaram a sua vida. As palavras de Sophia, a liberdade de Abril, a genialidade de Pessoa e Saramago, a paixão pelo teatro e pela poesia, a consciência para o papel da mulher ou a relação que a Escola deveria estabelecer com as artes são alguns dos temas que Celina Caldeira nos traz através da sua lista de referências. 

25 de Abril – Sophia de Mello Breyner Andersen

Uma Historia da Leitura – Alberto Manguel

Tabacaria – Álvaro de Campos

Beleza e Verdade – Emily Dickinson

As Intermitências da Morte e O Ensaio sobre a Lucidez – José Saramago

Amadeus – encenação de Tim Carroll e interpretação de Diogo Infante

Labirinto da Saudade – Eduardo Lourenço

O homem que confundiu a mulher com um chapéu – Oliver Sacks

A Filha de Ryan – David Lean

Montmartre, Paris pela primeira vez


Jaime Lourenço: Como é que estruturou esta lista de referências?

Celina Caldeira: Quando se fala em obras de referência é difícil pensar em termos cronológicos, porque penso que nunca tive aquilo a que se chama de epifania quando se lê ou quando se ouve uma música. Confesso que não tenho propriamente esse sentido. As referências surgem como uma construção em determinados momentos da vida e em determinados espaços. Portanto, tenho alguma dificuldade em definir as obras que me marcaram. E há ainda outra questão que enquanto professora tenho que dar uma série de conteúdos literários, o que implica estar constantemente actualizada relativamente aos conteúdos literários e esses torna-se uma revisita ano após ano. Tentei, portanto, nesta lista evitar as obras que dou nas aulas, porque se estão no programa já são de referência.

J.L.: Uma vez que estamos em Abril, faz sentido começarmos por 25 de Abril, de Sophia de Mello Breyner Andersen. Porquê esta escolha?

C.C.: Gosto muito da impessoalidade da Sophia. Neste poema, que escolhi, que aliás esteve pintado numa parede por cima da biblioteca aqui da escola, a Sophia tem uma grande simplicidade nas coisas concretas. É sobretudo isso. Ela não faz aquela lamentação lírica do eu, não tem a carga dramática… E este poema são quatro versos em que nos fala do antes, do depois, do agora, de uma forma que a mim me toca particularmente. Digamos que me emociono quando leio este poema.

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J.L.: Essa emoção que o poema lhe transmite está, de alguma forma, ligada à revolução do 25 de Abril?

C.C.: Eu era muito jovem no 25 de Abril, era aluna aqui na escola e na altura não tinha propriamente uma consciência política. Hoje, um jovem com 13, 14 anos é provável que tenha maior consciência política do que eu tinha na altura. Mas tive a oportunidade de viver, sentir e experienciar o 25 de Abril e acho que foi, para nós, um grito de liberdade extraordinário e que houvessem as alterações que hoje estamos a sentir, provavelmente a maior parte das pessoas inconscientemente. Mas reconheço que para mim foi muito importante enquanto descoberta daquilo que é a intervenção social, da dinâmica cívica.

J.L.: Passamos à próxima obra e entramos na literatura. Uma História da Leitura, de Alberto Manguel. Que livro é este?

C.C.: É um livro onde vou muitas vezes, sem ser com aquele espírito de reencontro, mas porque vou lá buscar muitas vezes algumas certezas para dúvidas. É um livro sobre o modo como o livro e a leitura acompanham o Homem ao longo dos tempos e fala da leitura como paixão, dos tipos de leitura, dos tipos de leitores, da leitura silenciosa, das leituras proibidas, da metáfora da leitura… Eu acho que a História da Leitura surpreende em cada página pelas histórias que conta. É um livro que me cativou desde o momento em que o li pela primeira vez, logo quando ele saiu no início da década de 1990, penso eu.

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J.L.: E como é a Celina enquanto leitora?

C.C.: Enquanto leitora tenho um problema que é o tempo. O tempo é uma coisa avassaladora. Como eu referi há pouco, o facto de dar muita obra literária nas aulas e revisitar constantemente esses autores, deixa-me pouco tempo para as leituras. É evidente que faço leituras distintas, não faço leituras no dia-a-dia por falta de tempo e, por isso, aproveito as férias, os tempos de lazer… E aí gosto de um bom romance, gosto muito do romance histórico, de ensaios, de poesia…

J.L.: Por lidar diariamente com jovens, sente que estes estão actualmente mais afastados da leitura?

C.C.: Hoje penso que se lê mais, mas em diversos suportes. Eu creio que se tem de fazer uma distinção, por um lado, entre o que é a leitura por prazer e a leitura por obrigação. Por outro, a leitura em suporte papel e a leitura em suporte electrónico. Neste último, hoje lê-se muita coisa, embora tenha algumas reservas sobre a leitura em suporte papel por fruição. Diria que é capaz de se ler mais e diversamente, mas não sei até que ponto é que os jovens lêem por fruição, porque isso exige três coisas: silêncio, tempo e concentração. E nós vivemos numa era de velocidade e de ruído constante.

J.L.: Na sua opinião, quais as possibilidades para aumentar o interesse e o gosto pela leitura nos jovens?

C.C.: Desde o momento em que na escola as leituras são obrigatórias põe-se sempre a questão da falta de fruição. E outra coisa, nas aulas os romances extensos como O Memorial do Convento ou Os Maias não são dados de forma integral, utilizamos excertos, e sem querer estamos a cortar o prazer da leitura. O ideal era que o aluno pudesse escolher as suas leituras e as apresentasse sem imposição de tempo. Mas acho que isto é uma utopia. O universo da leitura por prazer para os alunos é mesmo utópico. Só num sistema de ensino completamente distinto do actual.

J.L.: Tabacaria, de Álvaro de Campos. Já considerado por muitos como um dos grandes poemas do séc. XX português. Concorda?

C.C.: Eu penso que sim. É consensual, pelo menos por uma série de estudiosos e intelectuais que vêem a Tabacaria como um poema avassalador. E também o é para mim. É dos tais poemas que nem sempre está presente nos manuais e quando está é apenas um pequeno excerto, mas a Tabacaria é uma interrogação permanente. É, sobretudo, a ideia de que um homem no limite de uma angustia existencial se desnuda e nos interroga sobre o que é realmente a existência. É um poema que, por exemplo, incentivo os alunos a ler e já tive a sorte de o ver representado aqui na escola. Sendo profundamente pessimista e sendo profundamente angustiante, é um poema que me emociona por mais vezes que o leia me leva à interrogação sobre os limites da condição humana. Aliás, grande parte das minhas escolhas têm muito a ver com a mitologia do ser e sobre a existência.

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J.L.: É uma interrogação também presente em Beleza e Verdade de Emily Dickinson?

C.C.: A Emily Dickinson é uma descoberta tardia e tem uma beleza incrível do ponto de vista estético e do ponto de vista das palavras. E esta ideia da verdade e da beleza como irmãs… o que me faz escolher a poesia é mais o não dito do que o dito e gosto muito do que fica por dizer. E nesse aspecto a Emily Dickinson tem realmente essa capacidade e além de ser uma poetisa do séc. XIX, tem uma poesia actual. Quando o escritor sai do seu mundo e pensa no mundo que o rodeia, a leitura torna-se muito mais envolvente e mais apaixonante.

J.L.: E essa paixão pela poesia, pela literatura é bem visível nesta lista…

C.C.: Mas não é só isso. Eu acho, convictamente, que a literatura, tal como diz Lídia Jorge, pode salvar as pessoas. Porque a literatura é o espelho da natureza humana. O ano passado li uma entrevista do neurocientista António Damásio que dizia algo muito curioso a propósito da literatura… É impossível, sendo ele um homem da ciência, não ler e se tivesse que aconselhar uma leitura, ele aconselhava Shakespeare, que o acompanha constantemente. Isto é, está ali espelhado o que é a natureza humana, o que é a psicologia, e não podendo conhecer a variedade de seres humanos que existem neste planeta, a literatura pode mostrá-la.

San Sebastian Film Festival: Demian Bichir

J.L.: E passamos a José Saramago. As Intermitências da Morte e O Ensaio sobre a Lucidez. Porquê Saramago?

C.C.: São obras de provocação constante. A crítica social, a interrogação sobre a vida, a interrogação sobre a existência, a falta de humanidade… Admiro sobretudo a capacidade de contar histórias que o Saramago tem, mas ao mesmo tempo de desassossegar. Eu leio Saramago e estou desassossegada permanentemente. E a vontade que ele tem em querer mudar o mundo. Aquilo que ele faz é um desejo de mudança social, de mudança de mentalidades, ele não escreve inocuamente. Ele diz “se não me interessar pelo mundo, este baterá à minha porta pedindo-me contas”, e os seus romances espelham exactamente esta ideia. Ele conta histórias fabulosas, onde há muita ficção, muita metáfora, muita alegoria, mas sobretudo é o modo como nos fala sobre a realidade. Nas Intermitências da Morte, de repente a Morte faz greve e aquilo que aparentemente é o que todo o ser mortal deseja, não morrer, passa a ser uma questão social. Porque não morrer traz problemas gravíssimos aos vivos. É quase um paradoxo.

J.L.: O teatro também aparece na sua lista…

C.C.: Eu gosto muito de teatro. Gosto mesmo muito de assistir a uma boa peça de teatro…

J.L.: E esta peça na lista, Amadeus, foi protagonizada pelo Diogo Infante…

C.C.: Eu acho que é um excelente actor, já o vi em palco por diversas vezes, nomeadamente nesta peça, Amadeus, há uns seis ou sete anos. O que me fascina no teatro é, sobretudo, como a palavra é sucessivamente interpretada. Isto é, o escritor escreve um texto, o encenador escreve outro texto, o actor outro texto e nós vemos outro. E essa sucessão fascina-me no teatro e outra coisa, no teatro está o actor e a sua circunstância. A exigência que é dada ao actor que está em palco e que tem de construir um texto é uma arte sublime…

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Fotografia de Isabel Rosa.

 

J.L.: Tem que saber cativar a audiência, saber lidar com tudo o que está à sua volta…

C.C.: Ele está no palco e além de ter que ser outro, tal como o Pessoa cria os outros heterónimos, o actor também representa outra personalidade. Tem de estar ali de corpo e alma. Mas penso que é uma arte que continua a ser para elites, o que é paradoxal. Porque sendo uma arte que vem da antiguidade clássica, esteve sempre presente ao longo da História, mas que não tem a mesma adesão que tem, por exemplo o cinema.

J.L.: E que experiência foi assistir a esta produção de Amadeus?

C.C.: A peça trata uma espécie de conflito entre o Mozart e o Salieri. Mozart, altamente célebre, enquanto que Salieri vive na sombra e é esse confronto entre os dois, nomeadamente o Salieri que sente uma certa inveja por não ter tido tanta sorte como o Mozart. O que me faz pensar que, muitas vezes, a visibilidade é mais importante que a real dimensão das pessoas, ou seja, no dia-a-dia o que percebemos é que nem sempre as pessoas mais visíveis são aquelas que têm valor acrescentado.

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J.L.: Passamos para um ensaio. O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço…

C.C.: O Labirinto da Saudade é a procura da identidade de ser português, mas assente sobre imagens de carácter literário. Como é que a literatura contribui para criar uma entidade colectiva de ser português. E este ensaio ajuda-me a criar elos entre leituras. O modo como, por exemplo, o sonho é visto em Camões, em Pessoa, em Eça, ou o amor, ou a própria saudade. Portanto, ajudou-me a perceber os fios condutores que podem estar muitas vezes em escritores muito diversificados. É um livro pelo qual tenho muito apreço e pelo filósofo que é o Eduardo Lourenço.

J.L.: O homem que confundiu a mulher com um chapéu, de Oliver Sacks. Que livro é este?

C.C.: São uma série de histórias, também de um neurocientista, que se confronta com casos reais de doenças relacionadas com problemas neurológicos. Ele confronta-se com pessoas ou com Alzheimer, com esquizofrenia ou com Parkinson e transforma essas experiências em relatos que partem de uma base clínica mas são transformados em narrativas de carácter literário. São histórias em que ele narra, quase literariamente, casos concretos de pacientes. Essa problemática entre o físico e o psíquico, os limites da existência, a efemeridade da nossa condição e o modo como a mente pode ser alterada e isso acontece por exemplo na história que dá título ao livro. Esta história relembra-me também de que é importante cuidar da mente e como temos, de alguma forma, de a preservar.

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J.L.: O cinema também está presente na lista. A Filha de Ryan, de David Lean…

C.C.: Eu era adolescente quando vi o filme e eu senti-me desassossegada, no sentido em que fiquei incomodada e é aí que percebo que aquela obra teve algum efeito. E sobre A Filha de Ryan só soube mais tarde que também tem reflexos da Madame Bovary, mas foi sobretudo dos primeiros filmes que vi sozinha para o despertar da vida, da condição da mulher, para aquilo que são os sonhos, a realidade… É como se tivesse sido uma espécie de abanão. Eu acho que o vi demasiado cedo porque fiquei um bocado chocada e foi de tal maneira que hoje o relembro.

J.L.: E de que forma é que olhou para esse despertar para o papel da mulher?

C.C.: Desde o papel da mulher na sociedade, o papel do casamento, o papel do amor… A personagem principal não podia casar por amor e tinha que estar sujeita às regras paternas e às regras da sociedade e mostrava como a paixão e o amor não têm limites. A ideia de que não se pode enquadrar ou enformar o amor. Foi um filme que, de alguma maneira, também desperta para a vida quando ainda não pensava propriamente na vida.

J.L.: E terminamos a lista com uma experiência, a primeira vez que visitou Montmartre, em Paris. Como foi esta experiência?

C.C.: Emocionei-me e penso nisto da seguinte forma: porque é que quando entro naquele espaço eu fico emocionada? Por ver os artistas, os pintores, por ver como é que a arte surge… Foi um momento único. Eu acho que há certas coisas que só se sentem pela primeira vez. Já voltei lá e não consegui sentir a mesma emoção. É evidente que a idade era diferente, na primeira vez tinha 20 e tal anos. E esta ideia de certa idade, em certo tempo, em certo espaço é marcante e condiciona. Portanto, relativamente à nossa ligação com o mundo dou razão ao Caeiro que diz que era bom termos o pasmo inicial como se estivéssemos a ver tudo pela primeira vez. Mas penso que nem sempre se consegue ter esse sentimento na primeira vez, porque também A Filha de Ryan, quando voltei a ver mais tarde, também não me impressionou tanto. São as tais impressões que acontecem em determinada idade, em determinado tempo, em determinado espaço. Há uma série de condicionantes que nos marcam.

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Montmartre, Paris

J.L.: E nesta primeira visita a Montmartre, quais são as principais recordações?

C.C.: Penso na criação… Eu senti naquele espaço que, apesar de já ter uma ideia, superou as minhas expectativas. O que me surpreendeu ali é que aquele lugar de artistas existia mesmo, eles conseguiam naquele local produzir arte e levou-me a pensar que o criador muitas vezes não cria apenas por instinto mas tem que ter um local adequado para o fazer… como o meio envolvente pode transformar a pessoa.

J.L.: Sente que no sistema educativo actual se deveria dar mais destaque às artes e à cultura?…

C.C.: Sem dúvida…

J.L.: Acrescento ainda outra questão. Haverá espaço para isso no sistema educativo actual?

C.C.: Eu acho que há espaço, porque, em boa verdade, até ao final do ensino secundário, os alunos têm um encontro com que formas de arte? Rudimentarmente com a música, com o desenho, eventualmente a pintura e com a literatura. A literatura é a arte com maior destaque no percurso do ensino secundário. E o professor de português, que necessariamente também é professor de literatura, tem essa missão. Mas eu penso que sim, que devia haver um espaço, aliás tenho essa conversa muitas vezes com os alunos. A ideia de que devia haver uma disciplina mais ou menos transversal em que se pudesse dar lugar à criação, porque o que falta no nosso sistema educativo é haver um lugar para a criação, qualquer que ela seja.

J.L.: Para terminar, actualmente, para si, qual é o sentido de ser culto?

C.C.: É criar um pensamento. Ser culto é criar pensamento pessoal em primeira instância. Mas é também ter disponibilidade mental para a abertura. Uma pessoa para ser culta tem que ter uma disponibilidade de se abrir ao mundo. A cultura está muito relacionada com as artes, mas ser culto não é só o culto das artes, é ler o mundo. E também ter a humildade de o saber ler, porque se não há essa humildade, se não há essa dúvida constante pode-se cair numa certa arrogância intelectual e acho que qualquer pessoa que deseja aceder a esse estatuto de ter alguma cultura tem de ser uma pessoa humilde e receptiva, sobretudo isso. Portanto é ter a capacidade de ler o mundo pelo seu próprio olhar. Naturalmente, e como disse, para ser culto também é preciso tempo, porque é preciso estar-se informado e é preciso transformar a informação em conhecimento.

J.L.: E hoje é preciso saber escolher e ler a informação…

C.C.: Muito importante. Hoje vivemos assolados de informação, mas de pseudo-informação também. E a Escola, por exemplo, devia ter um papel extremamente importante, e eu procuro fazer isso enquanto professora, em orientar os alunos no sentido de saber fazer escolhas, porque ser culto também é fazer escolhas.

Entrevista realizada a 16 de Abril de 2018.

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